Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Furnas dos Dionísios

Era assim…
tinha dois cumpadi.
Todo dia iam pra roça juntos.

Mas teve um dia…
um dia diferente.

Um deles foi indo pra roça
e lá na frente viu o outro.

Viu direitinho.
Era o cumpadi mesmo.

Aí ele chamou:
Espera eu, cumpadi!

Mas o outro não respondeu.
Nem virou o rosto.

Continuou andando.

O cumpadi apertou o passo…
mas não alcançou.

Andou mais rápido.
Nada.

Aí começou a correr.
Correr de verdade.

Quando chegou na curva
que dobra pra entrar na roça…
virou a curva…

E não tinha ninguém.

Sumiu.

O coração apertou.
O corpo gelou.

Ele largou tudo
e saiu correndo pra casa do cumpadi.

Quando chegou lá…
o cumpadi tava dormindo.
Deitado.
Na cama.

Não tinha saído.
Não tinha ido pra roça.

E ainda falou:
que tinha visto o cumpadi
passar mais cedo indo trabalhar.

Mas ele…
nem tinha levantado da cama.

Aí eles entenderam.

Não era gente, não.
Era engano.
Era coisa do caminho.

Porque tem estrada
que de manhã cedo
não mostra tudo que é de verdade.

E quem segue…
às vezes acompanha
o que não existe.