Associação dos Pequenos Produtores
Rurais de Furnas dos Dionísios

Festival da Rapadura

Novembro, tempo de memória, luta e celebração

Group 11

Novembro chega doce em Furnas do Dionísio. É tempo de festa grande, de terreiro cheio, de gente que vem de longe para viver o Festival Anual da Rapadura, criado em 2011.


Aqui, o açúcar não é só sabor — é memória transformada. É cana cortada, moída, fervida, mexida com paciência. É o trabalho coletivo que vira sustento e identidade.


O festival nasce da vontade de celebrar o que é da terra. A rapadura, feita pelas mãos da comunidade, torna-se símbolo, ponte entre passado e futuro. Em 16 de novembro de 2016, esse saber foi reconhecido como patrimônio do estado, mas em Furnas ele já era, há muito, um tesouro vivo. Em 2025, esse reconhecimento se amplia, sendo também declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Jaraguari/MS, reafirmando a força e a
continuidade dessa tradição.

Durante a festa, tudo pulsa. A feira se abre como um grande território de saberes e fazeres: artesanato da peneira de taboca, objetos e utensílios produzidos com fibra de bananeira e sementes nativas, expressões do cuidado com a natureza e da inteligência ancestral. A agricultura familiar se faz presente nos produtos hortifrutigranjeiros, na farinha artesanal, na rapadura em suas múltiplas formas. Na comida, a cultura também se revela: churrasco, frango, arroz com guariroba e outros sabores que carregam histórias, modos de preparo e afetos partilhados. Alimentar-se, aqui, é também reconhecer-se.


Entre uma banca e outra, o corpo entra em movimento. Danças como Engenho Novo e Cobrinha, o ofertório e os bailes que atravessam a noite fazem vibrar o que foi aprendido com os mais velhos. O corpo dança o que a história ensinou.


E no centro de tudo, a partilha novamente: o doce repartido, o riso espalhado, o pertencimento reafirmado.
O festival não é apenas um evento.
É a celebração de um modo de vida que resiste, cria e se reinventa.