Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Furnas dos Dionísios

Aqui na nossa comunidade,
de primeiro, minha fia…
a gente via muita ilusão.

Ilusão demais.
Coisa que não era pra olho comum.

Eu mesmo…
já perdi a conta do tanto que vi.

Tinha uma pedreira ali,
perto da estrada que sobe
pra casa do Nirtinho.

Toda vez que eu passava por ali…
eu via.

Via tatu.
Mas não era tatu normal, não.

Era tatu todo de ouro.
Brilhando.
Correndo que nem doido,
desatinado,
sem rumo.

E se a gente fazia menção de pegar…
ele se virava.
Tacava pedra na gente.

Pedra que vinha com força.
Pedra que não errava.

Logo depois…
os passarinho levantava tudo de uma vez.
Tudo junto.
Como se alguém tivesse gritado no mato.

Voava pros monte.
Apressado.
Assustado.

Como quem foge da morte.

Aí o corpo da gente gelava.

Porque quando bicho corre assim…
não é à toa.

É porque tem coisa ali
que a gente não vê,
mas sente.

Assombração.

Coisa que mostra ouro
só pra enganar.

E quem conhece o caminho…
não duvida.
Abaixa a cabeça
e respeita.